Empty stories: o vazio é um lugar cheio de nada.
É, no entanto, através dele que preenchemos o nosso lugar na sociedade - do vazio para o frenesim das grandes metrópoles, movidas à velocidade dos sucessos e insucessos, das ambições e frustrações de milhões de pessoas que lutam para ser presente e futuro nesta “aldeia global” que nos acolhe.
Tudo isto é movimento, velocidade e alienação, rumo à descoberta de um mundo que julgamos conhecer. Mas é no vazio, porém, que se inscreve a metáfora perfeita da nossa existência. É aqui, através de reflexões poéticas e especulativas sobre o nosso papel no teatro da vida, que projectamos para além do terreno e do visível, alimentando o espírito com experiências que jamais viveríamos noutro lugar. É, a par dos sonhos, o verdadeiro reino das imagens e da imaginação daqueles que se recusam a viver apenas aquilo que as convenções morais e sociais vão ditando ao longo dos tempos.
Um espaço vazio, aparentemente desgovernado e cristalizado no tempo, é um regresso às raízes - um novo começo, onde os sonhos de criança regressam ao nosso imaginário através da contemplação desinteressada. Será sempre, portanto, um espaço onde habita uma doce anarquia do pensamento, que nos convida a ser nós próprios e a respeitar a nossa intuição. A partir daí, construímos castelos no ar, desenhamos ambições e vivemos outras vidas. São espaços vazios para ver e para sentir. Sem eles, as nossas cidades nunca teriam tantas histórias para contar.







